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segunda-feira, 27 de setembro de 2010

O Império do grotesco

O grotesco se caracteriza pelo rebaixamento operado por uma combinação insólita e exasperada de elementos heterogênos, com referência freqüente a deslocamentos escandalosos de sentido, situações absurdas, animalidade, partes baixas do corpo, fezes e dejetos. O grotesco é o fenômeno da desarmonia do gosto, que atravessa as épocas e as diversas co nformações culturais. O grotesco é algo que se tem feito presente na Antigüidade e nos tempos modernos. Atravessa tempos diversos, à maneira de uma constante supratemporal.
 
É antiqüíssimo, por exemplo, o procedimento grotesco de identificação figurativa entre o homem e o animal, fazendo-se presente nas fáb ulas e em sistemas morais. Muitas vezes, a identificação passa pela referência ao excremento como metáfora para o rebaixamento frente a valores tidos como sublimes ou para uma radical ausência de qualidades. O grotesco representa o grau zero da condição humana. O grotesco, assim, não opta por nenhuma moral progressista ou positivista. Muito pelo contrário, o grotesco funciona por catástrofe.

A palavra “grotesco” vem do italiano “grotta”, que significa “gruta” ou “porão”. Em fins do século XV, escavações feitas no porão do palácio romano de Nero revelaram ornamentos esquisitos – na forma de vegetais, abismos, caracóis, etc. – que fascinaram os artistas da época, que passaram a chamar tais objetos esquisitos de “grotescos”, em referência às grutas ou porões em que foram= encontrados. Em seguida, a denominação “grotesco” aplicou-se à combinação bizarra de elementos humanos, animais, vegetais e minerais. Sempre associada ao disforme, a palavra “grotesco” foi ganhando significados novos, em geral associados ao desvio de uma norma expressiva dominante, seja referente a costumes, seja referente a convenções culturais.
 
O grotesco assume modalidades diversas:
a) escatológica: trata-se de situações caracterizadas por referências a dejetos humanos, secreções,
partes baixas do corpo, etc.:
b) teratológica: referências risíveis a mons truosidades, aberrações, deformações, bestialismos, etc.
 
No grotesco, a excrescência e o nojo são apresentados como o antídoto para a banalidade da existência humana. O grotesco revela-se na exasperação tensa ou violenta dos contrários, com recursos da caricatura, da sátira e da ironia. Manifesta-se também pela crueldade com que se tiram os véus das regras ou das convenções ditas civilizadas.

O grotesco tem obsessão pela corporalidade humana – comer, defecar, copular, arrotar, vomitar. Também se faz referência à nudez e ao sangue. O grotesco é uma categoria ampla, com vários aspectos, capaz de aplicar-se a uma infinidade de situações: da escultura e pintura à literatura, ao cinema e à televisão. No caso da televisão, tem -se a tendência recente desse veículo é testar os limites de sua audiência. 

Nossa TV caracteriza-se por uma atmosfera sensorial de “praça pública”, a praça como “feira livre” das expressões diversificadas da cultura popular (melodramas, danças, circo, etc.)
A televisão para as massas tornou-se importante dispositivo de articulação de um espaço público ao constituir como seu público categorias sociais as mais diversas, sob a bandeira uniformizante do consumo de massa.

A televisão se especializou num tipo de programa voltado para a ressonância imediata, atuando sobre a imediatez da vida coditiana. E como procedimento básico a TV privilegia fortemente a óptica do grotesco. Primeiro, porque suscita o riso cruel (o gozo com o sofrimento e o ridículo do outro); segundo, porque a impotência humana, política ou social de que tanto se ri é imaginariamente compensada pela visão de sorteios e prêmios, uma vez que se tem em mente o sentimento crescente de que nenhuma política de
 
Estado promove ou garante o bem -estar pessoal; terceiro, porque o grotesco chocante permite encenar o povo e, ao mesmo tempo, mantê-lo a distância – dão-se voz e imagem a ignorantes, ridículos, patéticos, violentados, mutilados, disformes, aberrantes, para mostrar a crua realidade popular, sem que o choque daí advindo chegue às causas sociais, mas permaneça na superfície irrisória dos efeitos. Na realidade, as emissoras oferecem aquilo que elas e seu público desejam ver. O sistema televisivomercadológico constituiu esse público que, ao longo dos anos, tornou-se ele próprio “audiência de TV”.

O telespectador, entretanto, não é vítima, e sim cúmplice passivo de uma situação a que se habituou. Em sua existência miserável, costuma o telespectador sonhar com o acaso que o levará, pela sorte, a ser chamado pela produção de um “reality show” para transformar em espetáculo a sua aberração existencial e sair de lá com um eletrodoméstico qualquer como prêmio. O grotesco, dessa maneira, é o que arranca o telespectador de sua triste paralisia.
 
No tocante ao público, não se sustentam as hipóteses de um “voyeurismo” freudiano com relação ao “reality show”, pois o que se evidencia mesmo não é uma sexualidade de fundo, mas a fusão entre a banalidade dos fluxos televisivos e a existência banal dos telespectadores. Após décadas de rebaixamento de padrões, o público em geral tornou-se esteticamente parte disso que os especialistas chamam de “trash” (lixo).
Daí o império da repetição exaustiva do banal.


Contudo, o quadro adverso não aniquila a força expressiva intrínseca da televisão. “Recusar um meio de comunicação que se dirige a milhões de pessoas é no mínimo burrice”, sublinhava em 1974 o saudoso Oduvaldo Vianna Filho, Vianinha. Trata-se, isto sim, de reivindicar uma outra TV, muito menos grotesca e mais afim com o seu papel de veículo de entretenimento que precisa contribuir para a formação cultural e educacional.

SODRÉ, Muniz e PAIVA, Raquel. O império do grotesco. Rio de Janeiro, Mauad, 2002, 154 p.

Eqüidade: Conceitos e controvérsias

Equidade consiste na adaptação da regra existente à situação concreta, observando-se os critérios de justiça e igualdade. Pode-se dizer, então, que a equidade adapta a regra a um caso específico, a fim de deixá-la mais justa. Ela é uma forma de se aplicar o direito mas sendo o mais próximo possível do justo para as duas partes. ( GONÇALVES, 2003

Para Aristóteles, exigência de igualdade de todos perante a lei, sob o ponto de vista formal, não pode desconhecer a necessidade de uma decisão também materialmente justa, de acordo com as circunstâncias. Entra aqui o conceito de eqüidade como critério interpretativo, que permite adequar a norma ao caso concreto e chegar à solução justa. Diz-se, por isso, ser a eqüidade a justiça do caso concreto. E a decisão será eqüitativa quando levar em conta as especiais circunstâncias do caso decidido e a situação pessoal dos respectivos interessados.

Igualdade e justiça são conceitos discutidos desde Aristóteles. Identificar desigualdades            corresponde a atribuir um valor aos fenômenos sociais associados. “A equidade, segundo Perelman, corresponde então a um instrumento da justiça concreta concebida para resolver as antinomias entre as diversas fórmulas da justiça formal. A equidade significa dessa forma um produto de uma intervenção sobre situações de conflito” (Silva e Almeida Filho, 2000:7). (grifos nossos) 

Não podemos fugir, portanto, de juízos de valor. O que vai permitir compreender o significado do conceito é a resposta à pergunta: “igualdade de quê?”, “eqüidade em relação a quê?”. O julgamento e a medida das desigualdades é integralmente dependente da escolha da variável em torno da qual a comparação é feita. Essa variável pode encerrar características diversas ou uma combinação de características, ou seja, contem uma pluralidade interna. Por sua vez, a igualdade em termos de uma variável não coincide com igualdade na escala de outra variável SEN (apud, ESCOREL, 2007),



EQÜIDADE EM SAÚDE

Os estudos sobre desigualdades em saúde não são recentes. Há um longa trajetória epidemiológica que antecede a incorporação do conceito de eqüidade como orientador das políticas de saúde. A classificação e agrupamento por semelhança e diferença – da Medicina das Espécies à Epidemiologia – estruturam a abordagem científica dos fenômenos da saúde-doença registrando as diferenças, inicialmente em relação ao lugar, tempo, idade e sexo, e, posteriormente em relação a estratos, grupos, etnias, gêneros e classes sociais (Silva e Almeida Filho, 2000:5).

Para além dos estudos epidemiológicos que constatam, seguidamente, as diferenças e mesmo desigualdades de adoecer e morrer na sociedade o tema da eqüidade passa a ser trabalhado por outras disciplinas da Saúde Coletiva e pensado a partir dos âmbitos da política e da gestão do SUS o que exige a incorporação de um conjunto de novas categorias associadas.
Eqüidade em saúde está sustentado no direito à saúde por sua vez ancorado no conceito de saúde, historicamente construído ao redor da atenção médica. Nos direitos encontramos os princípios que sustentam a política. O campo da saúde é considerado como um espaço social em que se desenvolve um processo histórico de relações sociais que envolvem prestações de serviços, garantia de direitos e inter-relações pessoais. A análise de Teixeira, 2000, em torno de um sofrimento possível ou de fato das pessoas. “A situação de saúde das populações, compõe-se do conjunto de necessidades e problemas de saúde, das respostas sociais frente a ele e do perfil de fenômenos que o torna aparente. Como o processo de reprodução social comporta quatro momentos reprodutivos, as necessidades de saúde que dele derivam podem organizar-se em necessidades predominantemente biológicos, ecológicas, de consciência e conduta e predominantemente econômicas” (Paim, 1997).

Penso que as políticas de saúde que têm a eqüidade como princípio e como objetivo devem articular parâmetros epidemiológicos com parâmetros sociais e econômicos que permitam caracterizar e priorizar grupos vulneráveis. No Brasil contemporâneo as políticas sociais eqüitativas devem modificar as regras de distribuição orientadas para privilegiar e favorecer os grupos sociais economicamente vulneráveis Mas estou longe de preconizar políticas e programas focalizados nos pobres que tendem a perpetuar a pobreza e a consolidar o estigma e as discriminações que os grupos mais desfavorecidos já sofrem. A priorização não pode perder de vista a universalidade do direito à saúde. É parte, portanto, da “reconstrução da universalidade dos direitos sociais” que MAINGON (apud,ESCOREL, 2007), 2001, propõe em sua dissertação.

Os conceitos de pobreza e de grupos vulneráveis não podem ter em vista apenas os
rendimentos econômicos. Considerar a pobreza como “privação de capacidades” como faz Amartya Sen oferece um terreno muito mais promissor para a intervenção. Este autor argumenta que a “adequação dos meios econômicos não pode ser julgada independentemente da real possibilidade de “converter” rendimentos e recursos em capacidades”. (...) Rendimentos adequados para fugir da pobreza variam com as características pessoais e das circunstâncias”. (...) “Possuir rendimentos inadequados não é um caso de ter rendas abaixo de uma dada linha de pobreza e sim de ter rendas abaixo do que é adequado para gerar níveis específicos de capacidades para o indivíduo em questão” SEN (apud, ESCOREL, 2007)

Essa relação entre rendimentos e capacidades, acrescenta o autor, são fortemente afetadas por idade, localização (urbano/rural, por exemplo), aspectos epidemiológicos e nós podemos agregar por escolaridade, condições habitacionais, condições de transporte, instabilidade ocupacional e o conjunto de determinantes sociais que afetam a saúde como assinalamos anteriormente.

 Para reversão das condições atuais, para a elaboração de políticas eqüitativas dirigidas aos grupos social e economicamente mais vulneráveis, para os brasileiros que menos chances têm de desenvolver suas capacidades e potencialidades, ao invés de reduzir a elaboração das políticas aos fatores contingenciais da factibilidade financeira, há que se partir de um diagnóstico da pobreza como privação das capacidades para então estabelecer o que deve ser feito e daí o que pode ser feito a cada momento. Nesse sentido, a importância da análise descritiva da pobreza e da discussão conceitual do que é ser pobre no Brasil hoje, do que significa eqüidade e da eqüidade de quê estamos visando. Incorporar a eqüidade no contexto da igualdade é um avanço incontestável nas modalidades de cidadania, fruto das lutas sociais por reconhecimento (‘distinção’) e participação, e a existências de ‘cidadanias diferenciadas’ é um dado empiricamente observável. No entanto, nem sempre a diferenciação significa o reconhecimento de um outro pertencimento de caráter étnico ou de gênero indissociável de seu pertencimento ao corpo de cidadãos.

Na maioria das vezes, na nossa realidade, a diferenciação está pautada na inferiorização, na desqualificação dos mais pobres, dos mais negros e das mulheres Compartilho com MAINGON (apud, ESCOREL, 2007) a idéia de “reconstruir a universalidade dos direitos sociais para estar em condições de aceitar e atender as diferenças” tomando como dois aspectos fundamentais dessa reconstrução a pobreza e as vulnerabilidades no mundo do trabalho MAINGON (apud, ESCOREL, 2007), “Grupos sistematicamente excluídos podem e têm necessidades particulares que somente podem ser satisfeitas ou atendidas mediante políticas diferenciadas” afirma a autora preconizando a proposta de “pensar uma categoria de cidadania diferenciada”. Mas a idéia de políticas diferenciadas para grupos sistematicamente excluídos não deve perder de vista a inclusão em modalidades de cidadanias plenas, eqüitativas mas plenas.

A faca de dois gumes: de tanto acentuar a diferença e a diversidade perder o “interesse” nas questões que envolvem o espaço público, da igualdade, da construção do ‘mundo em comum’, da experiência de uma cidadania mais que ativa, emancipada. É a idéia de que o processo de expansão dos direitos sociais seja orientado por uma modalidade de cidadania emancipada (contrapondo-se a um modelo de cidadania assistida) em que além da participação há o protagonismo cívico e social.

ARISTÓTELES; Ética à Nicômaco. Livro V, filosofia grega.



ESCOREL, Sarah; Os dilemas da eqüidade em saúde: Aspéctos conseituais, FIOCRUZ, 2007



PAIM, J. 1997 Abordagens teórico-conceituais em estudos de condições de vida e saúde: notas para reflexão e ação. In: Barata, R.B. (org.) Condições de vida e situação de saúde. Rio de Janeiro, Abrasco, 7-30.


SILVA, L.M.V. & ALMEIDA FILHO, N. (2000) Distinção, diferença, desigualdade, iniqüidade e a saúde: uma análise semântica. Salvador, mimeo.


TEIXEIRA, C. 2000. Modelos de atenção voltados para a qualidade, efetividade, eqüidade e necessidades prioritárias de saúde. Caderno da 11ª Conferência Nacional de Saúde. Ministério da Saúde, Conselho Nacional de Saúde, Brasília.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Logística na saúde

“A Logística trata de todas as atividades de movimentação e armazenagem, que facilita o
fluxo de produtos desde o ponto de aquisição da matéria prima até o ponto de consumo final,
 assim como do fluxo de informações que colocam os produtos em movimento, como o propósito de providenciar níveis de serviço adequados aos clientes a um custo razoável.”
Ronald Ballou

A Logística é singular: nunca para. Está ocorrendo em todo o mundo, 24 horas por dia, 7 dias por semana, durante  o  ano todo. Poucas áreas de operações envolvem a complexidade ou abrange o escopo geográfico característico da Logística.
O objetivo da Logística é tornar disponíveis produtos e serviços no local onde são necessários, no momento em que são desejados...
 É difícil imaginar a realização de qualquer atividade de produção ou de marketing sem o apoio logístico.” Donald Bowersox, 2001 Logística (visão estratégica – criatividade)
“É o processo de gerenciar estrategicamente a aquisição, movimentação e armazenagem de materiais (matéria-prima), peças (materiais em processo) e produtos acabados (e os fluxos de informações correlatadas), através da organização e seus canais de marketing, de modo a poder maximizar as lucratividades presente e futura através do atendimento dos pedidos a baixo custo.”
“É a gestão de todo o fluxo de atividades, informações e materiais no decurso do ciclo do pedido, desde a pré-venda até seu completo atendimento, incluindo toda a cadeia de suprimentos.”  Logística Integrada

“ Processo de planejar, implementar e controlar eficientemente, ao custo correto,  o fluxo e a armazenagem de matérias primas, estoques durante a produção e produtos acabados, e as informações relativas a estas atividades, desde o ponto de origem até o ponto de consumo, com o propósito de atender os requisitos do cliente.” Conselho de Gerenciamento de Logística – EUA Importância do estudo da logística no setor da saúde
Na área da saúde os processos logísticos, devido às suas características muito específicas, deverão ser encarados como uma abordagem orientada não só para a racionalização de custos mas também como um elemento fundamental de apoio à prestação de cuidados de saúde a pacientes. De acordo com estudos publicados internacionalmente, estima-se que 46% do orçamento operacional de um hospital seja despendido em actividades relacionadas com Logística, 27% dos quais em Material e Equipamentos e 19% em Mão-de-obra. Uma total optimização dos Processos Logísticos pode levar a reduções de 48% destes custos melhorando ainda o nível de serviço hospitalar.

Genericamente, uma de duas formas para gerir a chegada de um utente a um serviço de urgência hospitalar ou a um centro de atendimento permanente/urgente é lhe solicitado a espera em fila, i.e., mantendo uma lógica de atendimento por ordem de chegada ou submetendo o utente a um processo de triagem inicial (observação e avaliação; por exemplo, por aplicação do Sistema de Triagem de Manchester), no sentido de perceber e classificar o grau de urgência com que chega ao sistema. Supondo a não existência de triagem, os tempos de espera dos utentes não dependem do seu estado de saúde (i.e., não dependem do seu grau efectivo de urgência) mas, antes, do número de pessoas que se encontram em espera à sua frente.

As melhores soluções requerem, para além da intervenção do racional clínico, médico, a participação do racional logístico e da trilogia de tempo, custo e qualidade do serviço, quer no desenho da solução específica, processual e de gestão de chegadas no contexto da unidade hospitalar, que no desenho da solução geral, i.e., para o sistema de urgências hospitalares em articulação com vários serviços de atendimento permanente/urgente que devem de cobrir todo um país. Sendo que em todos os casos impõe-se maior visibilidade intra e entre unidades de saúde e estandardização de procedimentos e processos.

Fonte: CARVALHO, José ; RAMOS, Tânia - Logística na Saúde. Lisboa: Edições Silabo, 2009

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Ansiedade

A ansiedade está se tornando um dos grandes problemas de nossos tempos. Vida agitada, pressão e stress somam-se gerando esta doença que tanto prejudica a qualidade de nossas vidas.

A ansiedade é uma perturbação psíquica caracterizada por um estado quase constante e permanente de inquietação, preocupação, angústia,  intranquilidade, desassossego, ansiedade, em maior quantidade gera o medo, etc. que provoca um mal estar e uma tensão constante.
 
A pessoa não se sente tranquila e as situações á sua volta criam-lhe muitas vezes um mal estar que ela não consegue definir nem controlar.
Este estado de espírito altera negativamente a vida da  pessoa e leva-a a afastar-se da realidade á sua volta, acabando muitas das vezes por prejudicar a sua vida e os seus relacionamentos.
Mudança de emprego, de casa, casamento, estudos, profissão, carreira etc. ou qualquer situação que implique mudança podem criar um estado de grande ansiedade e agitação na pessoa que sofre de ansiedade.
Sintomas


QUEM SÃO OS ANSIOSOS?
Pessoas ansiosas são aquelas que se tornaram dependentes demais de certeza. São aquelas para quem tudo tem que estar previsto, antecipado, controlado. São aquelas com um futuro nesse mundo de hoje que, além de pouco entusiasmo, pode se revelar inviável e impossível.
São pessoas cuja incapacidade de lidar com a incerteza, tira-lhes a capacidade de satisfazer duas outras necessidades humanas, primordiais e fundamentais: SIGNIFICADO e CRESCIMENTO.  A única maneira de nos sentirmos únicos, diferentes, especiais, verdadeiramente SIGNIFICANTES, é fazermos coisas únicas, diferentes, especiais, SIGNIFICATIVAS. Isso exige de nós a exposição ao novo, ao diferente, ao INCERTO, à INCERTEZA.

Pessoas controladas pela ansiedade terão enorme dificuldade de satisfazer essa necessidade tão fundamental, porque sua dependência viciada de certeza as levará a evitar fazer (ou pelo menos fazer diferente) qualquer coisa que ainda não tenham feito, a insistir em repetir no futuro apenas os mesmos padrões com os quais viveram até hoje e isso compromete ainda, de forma terminal, uma outra necessidade cuja não satisfação é garantia dos mais profundos níveis de frustração que uma pessoa pode saudavelmente tolerar.

Prevenção

Por vezes se usa a psicoterapia para dar uma ajuda nesta situação assim como a prática de exercícios relaxantes como o música, arte e  exercícios físicos por forma a libertarem o stress e a descontraírem a pessoa. Até mesmo uma atividade física comum como caminhada e academia faz com que esse estresse da ansiedade acabe ou diminui.
No entanto há que fazer um outro gênero de trabalho para que se localizem as causas por detrás da ansiedade e para que dessa forma se consigam trabalhar e eliminar as causas da ansiedade.

A ansiedade é uma característica das personalidades ansiosas e como tal a ansiedade tem muito a ver com a personalidade da pessoa que como se sabe é herdada e criada ao longo da vida. Perdas de pessoas queridas podem muitas das vezes agravar este estado tal como outras situações stressantes vividas ao longo da vida.
 
A ansiedade é muitas das vezes herdada da família e há que fazer um trabalho familiar e um trabalho que faça um outro tipo de abordagem daquele que normalmente se faz.
Há que mudar a maneira de ver e de sentir da pessoa e para isso tem  de se levar a pessoa a ver e a resolver situações que a afetam a nível inconsciente e sem ela se dar conta.
Há que ir ás causas e resolvê-las e isso hoje pode-se fazer de uma forma muito mais rápida quando se sabe o que procurar e como conduzir a pessoa a libertar aquilo que a afeta. Isto por si só não chega e muitas das vezes há que fazer uma desmemorização das tensões e emoções que foram sendo acumuladas ao longo da vida no corpo e nos tecidos e que agravam todo o estado de ansiedade.
 
Em muitos casos também é freqüente o fato de existirem situações físicas no corpo que estão na base da ansiedade e que precisam de ser corrigidas e eliminadas para que a ansiedade se consiga vencer e ultrapassar.
No fundo, há que perceber quais as causas por detrás da ansiedade e saber como corrigi-las para que a pessoa passe a viver a sua vida da maneira que ela merece ser vivida.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Os riscos da cybercondria

Com a expansão dos sistemas de consulta da web, surge um novo tipo de hipocondria, a hipocondria do internauta conhecida também como cybercondria. Funciona assim, o internauta sente algum sintoma seja coriza, dor de cabeça, etc. e busca no sistema de pesquisa algum possível “diagnostico” que se enquadre no seu perfil sintomatológico, ficando assim suscetível a maiores agravos e evolução progressiva dos sintomas, pois muitas vezes a pessoa se auto-medica seja com alopáticos ou fitoterápicos, podendo mascarar sintomas e agravar o processo patológico.
 
A cybercondria, em diferentes graus, já aparece no cotidiano dos profissionais."Os pacientes já chegam ao consultório com informações da internet e ainda fazem buscas após a consulta", afirma Paulo Olzon, clínico-geral da Unifesp em entrevista ao jornal FOLHA.COM em 19/09/2010.
Os sintomas, por sua vez, podem se enquadrar em diferentes quadros patológicos ex. uma dor de cabeça é um sintoma encontrado na meningite, infarto cerebral, tumor cerebral, estresse, epilepsia, hipertensão etc. 
Segundo o médico Paulo Olzon "Na hora que a pessoa fica sem referência, vai buscar por conta própria e acaba se atrapalhando."  

De acordo com o psicoterapeuta e professor da PUC-SP Antonio Carlos Pereira, esse tipo de conduto pode levar o cérebro a “criar” sintomas quando o internauta tenta associar seu quadro a uma determinada doença, ele explica ainda explica que o corpo reage a situações criadas pelo cérebro: toda a fisiologia pode ser afetada por idéias, daí o risco de conclusões sobre doenças baseadas no dr. Google. Isso posto, ele defende o direito do paciente buscar na rede o significado do jargão usado pelo médico. O supervisor do programa de ansiedade do Instituto de Psiquiatria da USP Luiz Vicente de Mello explica que o medo desencadeia as histaminas, substâncias que nos defendem dos corpos estranhos que nos atacam. "Há relação entre o sistema de alergia e o de emoção. Quem é muito tenso desenvolve sintomas físicos, somáticos."
 
Mello afirma que as pesquisas online devem ser criteriosas. "Sites confiáveis, ligados a faculdades, ajudam a esclarecer. Já os alternativos podem fornecer informações errôneas e quem não conhece os termos técnicos pode confundir uma doença com outra e transformá-la em preocupação excessiva."
No Brasil, 10% a 15% da população sofre de ansiedade, segundo dados do Instituto de Psiquiatria da USP, enquanto apenas 2% a 4% são hipocondríacos. Mas o interesse dos pacientes que sofrem desses dois distúrbios é o mesmo: descobrir se têm determinada doença. A ansiedade é tratada com antidepressivos e psicoterapia, enquanto a hipocondria, com terapia cognitiva comportamental.
 
A consulta médica deve ser soberana, de acordo com o supervisor do instituto. "O paciente não pode procurar nada sem avaliação clínica médica, senão é induzido a comprar remédios que podem fazer mal e ocultar uma doença mais grave."

Fonte: Folha.com acessado dia 19/09/2010 e Wikipédia a enciclopédia livre - Wikipédia.org (termo de busca – cybercondria)

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Boas maneiras - Por Paul Karrer

A cansada ex-professora se aproximou do balcão do supermercado. Sua perna esquerda doía e ela esperava ter tomado todos os comprimidos do dia: para pressão alta, tonteira e um grande número de outras enfermidades.
"Graças a Deus eu me aposentei há vários anos" - ela pensou. "Não tenho energia para ensinar hoje em dia." Imediatamente antes de se formar a fila para o balcão, ela viu um rapaz com quatro crianças e uma esposa, ou namorada, grávida. A professora não pôde deixar de notar a tatuagem em seu pescoço.
"Ele esteve preso" - pensou.
Continuou a observá-lo. Sua camiseta branca, cabelo raspado e calças largas levaram-na a conjecturar:

"Ele é membro de uma gangue."
A professora tentou deixar o homem passar na sua frente. - Você pode ir primeiro - ofereceu.
- Não, a senhora primeiro - ele insistiu.
- Não, você está com mais gente - disse a professora.
- Devemos respeitar os mais velhos - defendeu-se o homem.
E, com isto, fez um gesto largo indicando o caminho para a mulher.

Um breve sorriso adejou em seus lábios enquanto ela mancou na frente dele. A professora que existia dentro dela não pôde desperdiçar o momento e, virando-se para ele, perguntou:
- Quem lhe ensinou boas maneiras?
- A senhora, Sra. Simpson, na terceira série.

sábado, 4 de setembro de 2010

PODER E [IM]POTÊNCIA DA MÍDIA: A ALEGRIA DOS HOMENS TRISTES

Por Valter A. Rodrigues**

(...)Nos debates contemporâneos sobre a comunicação social e a liberdade de expressão, parece que todos gostariam de concordar sobre o papel fundamental dos meios de comunicação de massa na promoção e sustentação do espaço democrático, na medida em que suas principais funções seriam tanto a de permitir a regulação do poder público pela sociedade civil, informando-a sobre os atos do primeiro, como a de constituir-se como espaço de expressão das entidades representativas dos vários setores que compõem essa sociedade civil. Superfícies privilegiadas de visibilidade dos acontecimentos, os meios de comunicação seriam, assim, a principal, para não dizer a única, tribuna democrática na qual o debate público entre Estado e sociedade civil poderia se realizar. O período eleitoral, no qual se dá a escolha do conjunto dos representantes que ocuparão lugares no governo da polis, seria, dessa perspectiva, o ponto de convergência privilegiado para a composição dessa tribuna, por ser o momento em que os grupos sociais, em sua multiplicidade, poderiam designar, cada um, aqueles que representariam seus interesses, fazendo-os seus porta-vozes.(...)

Em quem votar?

Ao aproximarmos das eleições instaura-se na mente dos cidadãos a incógnita do voto. Hoje, mais que nunca, essa questão nos perturba, vivemos um momento complexo em nossa democracia, visto que nos embrenhamos numa grave crise de valores, onde a honestidade é um elemento que passa ao longe. Não há um código de honra, não há verdade no discurso, não há autenticidade nas palavras. Somente palavras soltas ao vento, incoerências e inverdades.

Assim, nos deparamos com as mazelas de um país incoerente e inconstante, onde não há ideologia nem verdade, mas somente interesse e disputa. Finalmente o capital conseguiu chegar ao centro de toda a estrutura mundial, tudo gira, tudo é e se move em torno do dinheiro, que consigo traz a dor, a guerra e a fome.

Irrompe diante de nós um momento único, muito interessante, que nos convoca a algo novo, um novo ideal, uma nova luta. Quem sabe uma re-fundamentação das estruturas? Olhando para o quadro sócio-político de nosso Brasil, percebemos que não interessa o governante, a assembléia, o grupo que dirige, as coisas permanecem sempre da mesma forma. Disso, percebemos que não adianta mudar os políticos, mudar os prefeitos, mudar os agentes, se não optarmos pela re-fundamentação.

Quando falamos em re-fundamentação não estamos acenando para uma reorganização, pois a atitude de reorganizar mantém os mesmos elementos e somente trocando-os de lugar. Contudo a re-fundamentação acena para algo totalmente novo, talvez inalcançável e utópico, mas que poderia irromper como possibilidade para a não permanência desta democracia decrépita.

Refletindo um pouco sobre nossos possíveis candidatos à presidência, sentimo-nos impotentes frente ao quadro que se apresenta. O presidente Lula, que teve sua chance de mostrar que as políticas de base só são possíveis fora da estrutura opressora do capitalismo; este chegou a presidência com sonhos projetos, porém sai dela com o rótulo de incompetente e incapaz.O mesmo sucedera se Dilma alcançar a presidência, alias esta ultima não tem o mínimo histórico de vocação política confiada pelo povo, ou seja nunca foi, nem sequer, vereadora. Alguns podem me achar “ridículo”, afinal ela foi chefe da casa civil, pra quem não sabe, ela apenas cumpriu com o “protocolo”, sua imagem esta mais associada ao fato de ser a “queridinha” do Lula, ou seja, no governo PT foi ela quem mais apareceu na mídia depois do presidente lula, sendo assim, Dilma é a melhor opção“ ” do PT. Também temos o Jose Serra, o idealizador dos genéricos, “o homem que consertou São Paulo”, pelo menos ele tem algumas idéias distintas, ao menos ele, se preocupou em colocar suas idéias no papel, mas, a minha preocupação é, terá ele capacidade pra governar imune a pressão dos banqueiros e grandes empresários? Também temos a candidata Marina do PV que tem uma única pauta o Meio ambiente. Esta é sua única estratégia de governo. Em terceiro lugar temos o candidato Plínio de Arruda Sampaio do PSOL, tenho que reconhecer este é um bom articulador, mas infelizmente não tem uma boa estratégia de governo e nem uma equipe qualificada pra governar.

Por isso, sugerimos a re-fundamentação, simplesmente não há o que fazer. Uma boa sugestão é a democracia, mas para que ela surja aqui é necessária a total revolução. Permanece a questão, “Em quem votar?”.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

O Boteco do futuro

Um sujeito entra num boteco novinho, todo hi-tech, e pede uma bebidinha.

O barman é um robô, que serve um cocktail perfeito e pergunta:

- Qual é o seu QI?

O homem responde:

- Uns 150.

Então o robô inicia uma conversa sobre aquecimento global,

espiritualidade universal, física quântica, interdependência

ambiental, teoria das cordas, nanotecnologia, e por aí afora....

O cara ficou impressionado, e resolveu testar o robô.

Saiu,.... deu uma volta e retornou ao balcão.

Novamente o robô pergunta:

- Qual é o seu QI?

O homem responde:

- Deve ser uns 100.

Imediatamente o robô lhe serve um uisquinho e começa a falar, agorasobre futebol, fórmula 1, super-modelos, comidas favoritas, armas,corpo de mulher, e outros assuntos semelhantes.............

O sujeito ficou abismado.

Sai do bar,.... para pensar.... e resolve voltar e fazer mais um teste.

Novamente o robô lhe faz a pergunta:

- Qual é o seu QI?

O homem dá uma disfarçada e responde:

- Uns 20, eu acho!!!!!

Então o robô lhe serve uma cachaça, se inclina no balcão e diz pausadamente:

- E aí manooo, quem tu acha que vai ganhar o BBB? E a novela ontem?